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Arquivo da Categoria: 100 problemas de Luanda

O lixo, o CAN e as nossas vidas


Mantive-me isento de qualquer pronunciamento escrito relacionado ao CAN Orange Angola 2010 desde 2007. Mas como já chegamos no mês e ano das paixões, penso ser oportuno dar alguma considerações.

Houve coisas as quais não me pronunciei por acreditar que a organização em tempo oportuno poderia dar uma solução atempada. Mas é certo que não se compõe um país destruído em menos de 5 anos e como os meus amigos, conhecidos e outros do ManPLÁ têm dito, isso leva muito tempo e provavelmente mais de 10 anos. Ok! Haver vamos, mas não é disso que pretendo falar com exactidão.

Quero falar um pouco do lixo que convive connosco, mas não vou falar já de todo lixo, por isso, uns madies podem ficar já descansados, que embora cansados deles e dos seus lixos, a malta daqui vai resistindo mesmo assim.

Fui visitar a Samba, o Domingo (27.12.09), e sem ter ficado espantado, observei com atenção o lixo que desagua na praia da Mabunda. Falei com alguns pescadores e os mesmos mostraram-se insatisfeitos com o cenário todo lixado. Apesar de terem uma maquina de extracção de lixo ela esta a maior parte do tempo parada e o sistema de recolha do lixo não é eficaz, e como não esta numa rua principal, os governantes nunca conseguem ver. Na verdade eu pagaria para saber o que os nossos governantes conseguem ver e resolver em relação aos problemas da população.

Temos nestas paragens montanhas de lixo. As crianças tomam banho nestas águas todas contaminadas, as casas de chapa e o lixo, com a água suja muito próximo têm sido grande fonte de mosquitos e o resto já sabemos de cor, e de preto e branco também.

E são essas coisas que a malta até percebe, mas não encaixa. Então a Governadora da Província e a Odebretch criaram uma arvore ecológica na Samba e esqueceram-se do lixo da praia da Mabunda, o que é mais urgente e prioritário? Ouvi e li em alguns meios de comunicação social que a Selecção Nacional de Futebol, estará hospedada no Hotel Calor Tropical, que está na Samba, e a praia da Mabunda está muito próximo, isso não será constrangedor?

Sei que o Governo, não conseguirá maquilhar Angola, para se mostrar bela aos olhos do mundo. Sei também que o nosso maior valor não está no que mostramos ser fora, para recebermos pagamentos de elogios interesseiros e baratos. O nosso maior valor é o de proteger a vida das nossas populações, esses governantes não se podem esquecer disso, o país não é o CAN e o nosso futuro não depende do CAN.

Prefiro que falhe o CAN, mas que Angola continue. Prefiro trocar a vida da nossa fauna e flora marítima pelo CAN, prefiro que as nossas populações vivam livres, saudáveis e educadas e abdico do CAN. Não podemos admitir que uma cidade universitária atinja a maior idade só em construção e os estádios do CAN vêm e dão “diavulo” na cidade que era para ser universitária. Será que o CAN é mais importante que a nossa educação? para uns “futebolmaniacos”, FHF – Falsos Homens de Futebol como apelida o kota Nando Jordão, os “politicomaniacos” engraxadores de luxo sim, mas para mim não.

Não tenho nada contra o CAN, amo o futebol e apesar de não acreditar, estou a apoiar, oxalá Angola ganhe.

Não concordo que se aproveite a euforia do CAN, para não tratar da higiene do país, para se aprovar uma constituição as pressas, para se fazer uma engenharia social e uma maquilhagem das cidades que não corresponde a verdade da nossa forma de viver.

Neste meu primeiro texto de 2010, espero não piedosas intenções, sim Acções concretas para melhorar as nossas vidas…

 
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Publicado por em 2 Janeiro, 2010 in 100 problemas de Luanda

 

A circulação Rodoviária na Capital

Por: Adão Ramos

Quando estamos empenhados na luta por uma causa ou mesmo várias causas, sobretudo se quisermos envolver outras pessoas colectivas ou individuais, não raro fazemos recurso à criatividade como forma de mobiliza-las ou tocarmos à sua sensibilidade. E uma forma é criarem-se slogans, palavras de ordens, símbolos e outras coisas mais. Assim procedem os governos, associações, partidos políticos, candidaturas a cargos e por aí adiante.

O Governo da Província de Luanda(GPL), entre os muitos problemas que tem por resolver, os casos do lixo, das estradas, da iluminação, das construções anárquicas, dos terrenos, etc, está igualmente preocupado com a “Circulação Rodoviária na cidade capital,” ou seja, o GPL está preocupado com a situação dos engarrafamentos, que já vão atingindo proporções fora de controle; tal é que o assunto já mereceu debates em vários fóruns.

Avisado, o GPL sabe que precisa de ter os munícipes mobilizados para esta empreitada. Daí o slogan actual: “Repensemos na circulação Rodoviária da Capital.” Particularmente acho que um slogan mobiliza mais se forem usadas palavras que toquem ao seu alvo que por sua vez introduzam essa palavras no seu vocabulário diário ou façam delas moda. Isso consegue-se pensando em pessoas ou grupos de pessoas com forte influência no meio geográfico onde se pretende actuar ou em pessoas com grande capacidade de mobilidade. No caso vertente, seriam também os taxistas e os cobradores de taxi. Estes são grandes difusores do novo vocabulário Luandino, e têm uma grande responsabilidade nessa questão dos engarrafamentos. Os jovens kuduristas são outros.

É também necessário usar uma linguagem com o qual o grupo alvo se identifique, sem ter que baixar ao nível da banalidade, e socializar o slogan ou palavra de ordem por meio de spot´s, tshirt´s, auto colantes e outros meios mais.

Mas para que se minimize o problema dos engarrafamentos em Luanda será também necessário atacar as causas. Temos assistido uma preocupação muito grande com os taxistas, preocupação que tem justificado o aumento de Agentes reguladores de trânsito nas vias ou toda sorte de impropérios que são lançados contra estes, vindos até de gente com responsabilidades cá entre nós. Bem também estou de acordo que é preciso disciplinar esses automobilistas, porque muitos deles senão a maior parte, são realmente horrivelmente indisciplinados, na estrada sentem-se na casa da mãe, com permissão para fazerem e desfazerem sem respeitarem a quem quer que seja. Quem anda pelas ruas de Luanda assiste a tudo isso com muita tristeza. Só que não me parece certo fazer depender o sucesso da campanha por uma Luanda melhor com menos engarrafamento – essa não seria uma boa dica, se melhorada? – da mudança de comportamento por parte deles. Também compreendo que é mais fácil rebentar a corda do lado mais fraco ou arranjarem-se bodes expiatórios para justificar o fracasso. Dessa forma, todo “esforço” que se faz para resolver o problema revelar-se-á fantoche.

Penso que uma preocupação maior e imediata devem ser as estradas. Há buracões em quase todas as vias. Existem troços, que até de forma sarcástica, se costuma chamá-los de “caminho” ao invés de estrada – “ vou passar pelo caminho da Cuca” invés de “ vou passar pela estrada da Cuca – Exemplos? Para que? Só para escrever mais páginas do seria necessário? Ocorre que quase todos os troços, saídas e entradas, de Luanda estão esburacados, arenosos, empedrados ou demasiado estreitos. Estão impróprios até para uma mulher gestante(grávida) se fazer transportar ai a bordo de uma viatura – há o risco muito acentuado desta perder o seu filho ou a sua filha por abortamento. Quantos já ocorreram? Há quem nunca pensou nisso. Mas a situação das nossas estradas chega até a impedir o nascimento de mais angolanos e angolanas, quando o país precisa de gente.

Portanto com as estradas nas condições que apresentam, estão criadas as condições para não nos livrarmos nunca mais dos já famosos e incómodos engarrafamentos, se tivermos em linha de conta a numerosíssima quantidade de viaturas em circulação – e ainda falta a minha. É preciso que se asfaltem as vias principais, mas com asfalto sério de boa qualidade e longa duração e não descartáveis, e que se dê uma atenção especial às vias alternativas. Isso é urgente! Não nos falem em falta de dinheiro, porque temos visto os Hammer´s, tubarões, as mansões e muito mais esbanjamentos a custa do erário público.

Outra preocupação, não menos importante, deve ser a circulação dos camiões, sobre tudo os transportadores de contentores. Com a aposta crescente por parte de alguns – não é qualquer angolano, tipo Adão Ramos, que para aí se atira – na importação de certos produtos, há depósitos de contentores em qualquer canto de Luanda. Alguém ainda não viu a dificuldade criada à fluidez do trânsito por um camião carregado avariado na via ou com dificuldade de manobra? E mais, muitos de nós já viu um contentor caído por cima de uma viatura que transportava gente. Para dizer que para além de dificultarem o trânsito também, têm sido bons em termos de espalharem óbitos pelos nosso bairros.

E porque será que ninguém da governação de Luanda fala nisso? É evidente que alguém tem medo de qualquer coisa.

Parece, e é o que se diz em Luanda, que os terminais de contentores, os camiões e os próprios contentores pertencem à gente graúda no país, quer dizer pertencem a alguns ministros, deputados influentes de um grupo organizado, tipo partido, generais ou a pessoas muito próximas desses. Assim sendo, qualquer voz que se ouvir tocar nesse assunto, terá encontrado o seu cemitério político. Ainda paira no ar o que aconteceu ao ex-governador de Luanda Simão Paulo, que mandou fechar armazéns onde muitos desses tinham e têm interesses. O que ele ganhou? Reforma “compulsiva” com direito a inscrição na lista negra e sem direito a medalha. Mas se tiver ido ao “purgatório”, e com muita sorte ainda terá uma oportunidade.

Seja lá o que pode acontecer, não nos vamos resignar antes da morte. Continuaremos a dizer, que é urgente disciplinar-se a circulação dos camiões transportadores de contentores. É necessário porem-se estes camiões a circularem só a partir de certas horas da noite – pode ser a partir das 22:30 às 04:00 – pois a continuarem as coisas como estão, adeus circulação rodoviária fluida na capital.

É ainda necessário trabalhar-se no sentido da educação das pessoas para que faça cada um a sua parte – a educação cívica visou isso também? – Os engarrafamentos são um grande mal, com eles aumenta o número de gente estressada, mais pessoas correm o risco de perderem o emprego por frequentemente atrasarem-se ao trabalho, mais estudantes perdem aulas ou provas – e o país precisa de ter gente a estudar bem – mais jovens perdem a namorada ou o namorado, que se fartam de esperar – e o país precisa de ter jovens felizes e bem dispostos – Será que ninguém sabe disso?

Confesso que tenho muito vontade de pessoalmente conversar sobre isso com a vossa excelência Sr. Presidente da República, pois me parece que é o único nesse país que não teme a ninguém.

Aqui fica o meu pedido de audiência.

Adão Ramos

 
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Publicado por em 4 Março, 2007 in 100 problemas de Luanda

 

A circulação Rodoviária na Capital

Por: Adão Ramos

Quando estamos empenhados na luta por uma causa ou mesmo várias causas, sobretudo se quisermos envolver outras pessoas colectivas ou individuais, não raro fazemos recurso à criatividade como forma de mobiliza-las ou tocarmos à sua sensibilidade. E uma forma é criarem-se slogans, palavras de ordens, símbolos e outras coisas mais. Assim procedem os governos, associações, partidos políticos, candidaturas a cargos e por aí adiante.

O Governo da Província de Luanda(GPL), entre os muitos problemas que tem por resolver, os casos do lixo, das estradas, da iluminação, das construções anárquicas, dos terrenos, etc, está igualmente preocupado com a “Circulação Rodoviária na cidade capital,” ou seja, o GPL está preocupado com a situação dos engarrafamentos, que já vão atingindo proporções fora de controle; tal é que o assunto já mereceu debates em vários fóruns.

Avisado, o GPL sabe que precisa de ter os munícipes mobilizados para esta empreitada. Daí o slogan actual: “Repensemos na circulação Rodoviária da Capital.” Particularmente acho que um slogan mobiliza mais se forem usadas palavras que toquem ao seu alvo que por sua vez introduzam essa palavras no seu vocabulário diário ou façam delas moda. Isso consegue-se pensando em pessoas ou grupos de pessoas com forte influência no meio geográfico onde se pretende actuar ou em pessoas com grande capacidade de mobilidade. No caso vertente, seriam também os taxistas e os cobradores de taxi. Estes são grandes difusores do novo vocabulário Luandino, e têm uma grande responsabilidade nessa questão dos engarrafamentos. Os jovens kuduristas são outros.

É também necessário usar uma linguagem com o qual o grupo alvo se identifique, sem ter que baixar ao nível da banalidade, e socializar o slogan ou palavra de ordem por meio de spot´s, tshirt´s, auto colantes e outros meios mais.

Mas para que se minimize o problema dos engarrafamentos em Luanda será também necessário atacar as causas. Temos assistido uma preocupação muito grande com os taxistas, preocupação que tem justificado o aumento de Agentes reguladores de trânsito nas vias ou toda sorte de impropérios que são lançados contra estes, vindos até de gente com responsabilidades cá entre nós. Bem também estou de acordo que é preciso disciplinar esses automobilistas, porque muitos deles senão a maior parte, são realmente horrivelmente indisciplinados, na estrada sentem-se na casa da mãe, com permissão para fazerem e desfazerem sem respeitarem a quem quer que seja. Quem anda pelas ruas de Luanda assiste a tudo isso com muita tristeza. Só que não me parece certo fazer depender o sucesso da campanha por uma Luanda melhor com menos engarrafamento – essa não seria uma boa dica, se melhorada? – da mudança de comportamento por parte deles. Também compreendo que é mais fácil rebentar a corda do lado mais fraco ou arranjarem-se bodes expiatórios para justificar o fracasso. Dessa forma, todo “esforço” que se faz para resolver o problema revelar-se-á fantoche.

Penso que uma preocupação maior e imediata devem ser as estradas. Há buracões em quase todas as vias. Existem troços, que até de forma sarcástica, se costuma chamá-los de “caminho” ao invés de estrada – “ vou passar pelo caminho da Cuca” invés de “ vou passar pela estrada da Cuca – Exemplos? Para que? Só para escrever mais páginas do seria necessário? Ocorre que quase todos os troços, saídas e entradas, de Luanda estão esburacados, arenosos, empedrados ou demasiado estreitos. Estão impróprios até para uma mulher gestante(grávida) se fazer transportar ai a bordo de uma viatura – há o risco muito acentuado desta perder o seu filho ou a sua filha por abortamento. Quantos já ocorreram? Há quem nunca pensou nisso. Mas a situação das nossas estradas chega até a impedir o nascimento de mais angolanos e angolanas, quando o país precisa de gente.

Portanto com as estradas nas condições que apresentam, estão criadas as condições para não nos livrarmos nunca mais dos já famosos e incómodos engarrafamentos, se tivermos em linha de conta a numerosíssima quantidade de viaturas em circulação – e ainda falta a minha. É preciso que se asfaltem as vias principais, mas com asfalto sério de boa qualidade e longa duração e não descartáveis, e que se dê uma atenção especial às vias alternativas. Isso é urgente! Não nos falem em falta de dinheiro, porque temos visto os Hammer´s, tubarões, as mansões e muito mais esbanjamentos a custa do erário público.

Outra preocupação, não menos importante, deve ser a circulação dos camiões, sobre tudo os transportadores de contentores. Com a aposta crescente por parte de alguns – não é qualquer angolano, tipo Adão Ramos, que para aí se atira – na importação de certos produtos, há depósitos de contentores em qualquer canto de Luanda. Alguém ainda não viu a dificuldade criada à fluidez do trânsito por um camião carregado avariado na via ou com dificuldade de manobra? E mais, muitos de nós já viu um contentor caído por cima de uma viatura que transportava gente. Para dizer que para além de dificultarem o trânsito também, têm sido bons em termos de espalharem óbitos pelos nosso bairros.

E porque será que ninguém da governação de Luanda fala nisso? É evidente que alguém tem medo de qualquer coisa.

Parece, e é o que se diz em Luanda, que os terminais de contentores, os camiões e os próprios contentores pertencem à gente graúda no país, quer dizer pertencem a alguns ministros, deputados influentes de um grupo organizado, tipo partido, generais ou a pessoas muito próximas desses. Assim sendo, qualquer voz que se ouvir tocar nesse assunto, terá encontrado o seu cemitério político. Ainda paira no ar o que aconteceu ao ex-governador de Luanda Simão Paulo, que mandou fechar armazéns onde muitos desses tinham e têm interesses. O que ele ganhou? Reforma “compulsiva” com direito a inscrição na lista negra e sem direito a medalha. Mas se tiver ido ao “purgatório”, e com muita sorte ainda terá uma oportunidade.

Seja lá o que pode acontecer, não nos vamos resignar antes da morte. Continuaremos a dizer, que é urgente disciplinar-se a circulação dos camiões transportadores de contentores. É necessário porem-se estes camiões a circularem só a partir de certas horas da noite – pode ser a partir das 22:30 às 04:00 – pois a continuarem as coisas como estão, adeus circulação rodoviária fluida na capital.

É ainda necessário trabalhar-se no sentido da educação das pessoas para que faça cada um a sua parte – a educação cívica visou isso também? – Os engarrafamentos são um grande mal, com eles aumenta o número de gente estressada, mais pessoas correm o risco de perderem o emprego por frequentemente atrasarem-se ao trabalho, mais estudantes perdem aulas ou provas – e o país precisa de ter gente a estudar bem – mais jovens perdem a namorada ou o namorado, que se fartam de esperar – e o país precisa de ter jovens felizes e bem dispostos – Será que ninguém sabe disso?

Confesso que tenho muito vontade de pessoalmente conversar sobre isso com a vossa excelência Sr. Presidente da República, pois me parece que é o único nesse país que não teme a ninguém.

Aqui fica o meu pedido de audiência.

Adão Ramos

 
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Publicado por em 4 Março, 2007 in 100 problemas de Luanda

 
 
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